Não posso ser feliz por completo.
Se serei?
Não sei.
Mas minha poesia necessita de tristeza e doses de solidão.
Porque elas são fontes.
Inspiração.
Carrego no peito sangrado o gosto acre da vida.
Aperto meu cinto. E sinto.
Derramo o pouco doce que sobra longe de mim.
Não estou sendo vítima de mim mesmo.
Pelo contrário.
Estou apenas mostrando que os meus versos cantam
a canção fúnebre em tempos de alegria.
E que somente eu sei sobre a minha poesia.
Por Rene Serafim - "Juninho"
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Entre-laços
Faço estes versos
Enquanto dormes
Reluzente e presente
Na minha cama
Ainda sinto seu cheiro
Nos corpos
Deitados e experimentados
Amados.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Enquanto dormes
Reluzente e presente
Na minha cama
Ainda sinto seu cheiro
Nos corpos
Deitados e experimentados
Amados.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
1ª Pessoa do singular
Você carrega as mágoas
nas profundezas mais profundas.
Chora lágrimas já sem sal
e cristalizadas.
Você guarda e aguarda
o metrô da madrugada.
Retira-se da linha
não mais utilizada.
Você caminha a três horas
de sua morada.
E ao chegar
está mais frio.
Você derrama o sangue
que fora vermelho.
Agora ele sequer
tem cor.
Você hoje é um ser
metamorfizado.
Talvez um verbo intransitivo
mas que aceita exceções.
Você é...
a primeira pessoa do singular.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
nas profundezas mais profundas.
Chora lágrimas já sem sal
e cristalizadas.
Você guarda e aguarda
o metrô da madrugada.
Retira-se da linha
não mais utilizada.
Você caminha a três horas
de sua morada.
E ao chegar
está mais frio.
Você derrama o sangue
que fora vermelho.
Agora ele sequer
tem cor.
Você hoje é um ser
metamorfizado.
Talvez um verbo intransitivo
mas que aceita exceções.
Você é...
a primeira pessoa do singular.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Lado B
O silêncio líquido
será a resposta
para o meu segredo.
Ao não dizer,
falarei mais alto
e mais profundo.
Com as asas de quem quer voar,
corto as minhas
na esperança de um dia
fazer-te acreditar.
E no lirismo barato que por ora faço
tento num impulso,
súbito e intenso,
colocar em palavras
tudo aquilo que existe
na minha abstração sentimental.
O prazer de fazê-los,
os versos,
é semelhante ao gozo noturno
dos dias quentes.
E como quem sente sou eu,
escrevo.
Fim.
P.S.: Feito na rodoviária de Ribeirão Preto.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
será a resposta
para o meu segredo.
Ao não dizer,
falarei mais alto
e mais profundo.
Com as asas de quem quer voar,
corto as minhas
na esperança de um dia
fazer-te acreditar.
E no lirismo barato que por ora faço
tento num impulso,
súbito e intenso,
colocar em palavras
tudo aquilo que existe
na minha abstração sentimental.
O prazer de fazê-los,
os versos,
é semelhante ao gozo noturno
dos dias quentes.
E como quem sente sou eu,
escrevo.
Fim.
P.S.: Feito na rodoviária de Ribeirão Preto.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
domingo, 6 de setembro de 2009
Passarela Rubens Pasin
Atravessando a passarela Rubens Pasin
senti o odor da urina lá deixada
por um transeunte qualquer na madrugada.
Ao olhar ao meu redor
deparei-me com a forma mais pura e poética da vida:
as marcas deixadas por todos que ali passam.
Subitamente aflorou em meus poros a poesia
e exalou meus sentimentos fugazes.
Tudo isso por causa de uma passarela.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
senti o odor da urina lá deixada
por um transeunte qualquer na madrugada.
Ao olhar ao meu redor
deparei-me com a forma mais pura e poética da vida:
as marcas deixadas por todos que ali passam.
Subitamente aflorou em meus poros a poesia
e exalou meus sentimentos fugazes.
Tudo isso por causa de uma passarela.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
domingo, 30 de agosto de 2009
Colcha-de-retalhos
Minha poesia é feita de retalhos
gasto com o uso intenso do cotidiano.
A construção não segue métrica
e percorre um caminho espiral.
Traduzo em poesia
tudo aquilo que não existe em palavra.
Coloco a lente poética
e enxergo o mundo subjetivamente.
Seja em cores ou em preto-e-branco
revela os meus
e talvez os seus momentos íntimos.
E no final,
os retalhos que eram só pedaços
transformam-se nesta colcha.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
gasto com o uso intenso do cotidiano.
A construção não segue métrica
e percorre um caminho espiral.
Traduzo em poesia
tudo aquilo que não existe em palavra.
Coloco a lente poética
e enxergo o mundo subjetivamente.
Seja em cores ou em preto-e-branco
revela os meus
e talvez os seus momentos íntimos.
E no final,
os retalhos que eram só pedaços
transformam-se nesta colcha.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Déjà vu
E ao retirar o peso
que existia em suas costas
o pai conversa com o filho.
No diálogo caloroso e fraterno
havia o cheiro da cumplicidade
exalada pelas bocas.
E a mão maior
toca no ombro do pequeno
que agora caminha
apenas com o peso do corpo miúdo.
Neste instante um déjà vu perpassa pela minha mente
e recorda as lembranças mais belas da infância.
De um tempo em que o único peso que eu carregava
era o peso da minha própria mochila.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
que existia em suas costas
o pai conversa com o filho.
No diálogo caloroso e fraterno
havia o cheiro da cumplicidade
exalada pelas bocas.
E a mão maior
toca no ombro do pequeno
que agora caminha
apenas com o peso do corpo miúdo.
Neste instante um déjà vu perpassa pela minha mente
e recorda as lembranças mais belas da infância.
De um tempo em que o único peso que eu carregava
era o peso da minha própria mochila.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Sorriso de Mona Lisa
Agora, sinto o dia frio
e essa chuva fina
cai sobre mim.
Pego meu guarda-chuva
e sigo o caminho noturno
de todas as segundas-feiras.
Faço a minha obrigação
e se católico fosse
colocaria o agradecimento
em minha oração.
Volto para a casa que não me pertence
e com os sapatos molhados
caminho na penumbra
da minha própria sombra.
Abro a porta
e me deparo com a solidão.
Ela sorri e diz:
- Existem coisas piores que a minha presença.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
e essa chuva fina
cai sobre mim.
Pego meu guarda-chuva
e sigo o caminho noturno
de todas as segundas-feiras.
Faço a minha obrigação
e se católico fosse
colocaria o agradecimento
em minha oração.
Volto para a casa que não me pertence
e com os sapatos molhados
caminho na penumbra
da minha própria sombra.
Abro a porta
e me deparo com a solidão.
Ela sorri e diz:
- Existem coisas piores que a minha presença.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Momento num café
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto longo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
Por Manuel Bandeira
_____________________________________________________________
Comentário:
Dois momentos distintos: a cultura religiosa de saudação, mesmo sem saber a quem se deve tal gesto e de forma mecânica - retirar o chapéu como forma de respeito. No outro, a libertação dos valores impostos muitas vezes sem significação ou sentido para o indivíduo que o absorve sem questionamento ou entendimento.
Ao fazer gestos de "adeus" ao morto, as pessoas do café mostram-se inteiramente envolvidas com uma questão de valores religiosos que transcende o sentido da vida enquanto aquela para ser vivida. Aqui, a saudação é para a morte, que carregou o indivíduo e simplesmente esquecem de refletir o verdadeiro sentido de suas respectivas existências.
Entretanto, o esclarecimento de um indivíduo que questiona, mesmo que no seu interior, o verdadeiro sentido daquela cena, revela para si próprio algo que para muitos é assustador: o existencialismo efêmero nosso enquanto ser e a falta de finalidade da vida. Nota-se aqui a aproximação de Manuel Bandeira com a filosofia de Sartre acerca do Existencialismo.
Por último, os dois últimos versos confirmam o que fora dito sobre o existencialismo. A saudação à carne, à matéria que não é mais viva. E que agora está em liberdade eterna de uma alma extinta.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto longo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
Por Manuel Bandeira
_____________________________________________________________
Comentário:
Dois momentos distintos: a cultura religiosa de saudação, mesmo sem saber a quem se deve tal gesto e de forma mecânica - retirar o chapéu como forma de respeito. No outro, a libertação dos valores impostos muitas vezes sem significação ou sentido para o indivíduo que o absorve sem questionamento ou entendimento.
Ao fazer gestos de "adeus" ao morto, as pessoas do café mostram-se inteiramente envolvidas com uma questão de valores religiosos que transcende o sentido da vida enquanto aquela para ser vivida. Aqui, a saudação é para a morte, que carregou o indivíduo e simplesmente esquecem de refletir o verdadeiro sentido de suas respectivas existências.
Entretanto, o esclarecimento de um indivíduo que questiona, mesmo que no seu interior, o verdadeiro sentido daquela cena, revela para si próprio algo que para muitos é assustador: o existencialismo efêmero nosso enquanto ser e a falta de finalidade da vida. Nota-se aqui a aproximação de Manuel Bandeira com a filosofia de Sartre acerca do Existencialismo.
Por último, os dois últimos versos confirmam o que fora dito sobre o existencialismo. A saudação à carne, à matéria que não é mais viva. E que agora está em liberdade eterna de uma alma extinta.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
sábado, 15 de agosto de 2009
Poesia Inacabada
Sedento e insaciável,
ávido por novas palavras
ou novos significados.
Não me contento
com isto ou aquilo.
Desejo mais que isso.
A busca é eterna,
contínua
e nua.
Corre pela rua
como as águas da chuva
em dias de verão.
E nessa evolução literária
faço revolução
poética.
Os paradoxismos universais
e o lirismo aceitos
serão.
E como quem aprende a dar
os primeiros passos,
caio sempre que necessário.
Eu, um ser anacrônico
neste poema
lacônico.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
ávido por novas palavras
ou novos significados.
Não me contento
com isto ou aquilo.
Desejo mais que isso.
A busca é eterna,
contínua
e nua.
Corre pela rua
como as águas da chuva
em dias de verão.
E nessa evolução literária
faço revolução
poética.
Os paradoxismos universais
e o lirismo aceitos
serão.
E como quem aprende a dar
os primeiros passos,
caio sempre que necessário.
Eu, um ser anacrônico
neste poema
lacônico.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Uma didática da invenção
1.
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
[...]
Por Manoel de Barros
_____________________________________________________________________________________
Comentário:
Esta poesia é apenas a primeira parte de várias outras sob o título de "Uma didática da invenção" de Manoel de Barros. Apalpar as intimidades do mundo é muito mais que escrever sobre coisas simples ou, como o próprio Manoel de Barros usualmente cita, as insignificâncias do mundo. É sentir.
Ao sentir as insignificâncias do mundo logo percebemos as nossas e, consequentemente, estas deixam de ser insignificantes e passam a ter um valor sentimental. Valor pessoal, subjetivo e, de certo modo, poético.
Paro por aqui e deixo vocês refletirem sobre estes princípios de como apalpar as intimidades do mundo e a pensarem sobre os seus próprios princípios.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
[...]
Por Manoel de Barros
_____________________________________________________________________________________
Comentário:
Esta poesia é apenas a primeira parte de várias outras sob o título de "Uma didática da invenção" de Manoel de Barros. Apalpar as intimidades do mundo é muito mais que escrever sobre coisas simples ou, como o próprio Manoel de Barros usualmente cita, as insignificâncias do mundo. É sentir.
Ao sentir as insignificâncias do mundo logo percebemos as nossas e, consequentemente, estas deixam de ser insignificantes e passam a ter um valor sentimental. Valor pessoal, subjetivo e, de certo modo, poético.
Paro por aqui e deixo vocês refletirem sobre estes princípios de como apalpar as intimidades do mundo e a pensarem sobre os seus próprios princípios.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Quebra-cabeça
Vomitarei palavras aleatórias,
vogais e consoantes serão meu quebra-cabeça.
Tentei encontrar algumas palavras,
mas fracassei nessa brincadeira.
Talvez a minha ignorância não deixe
que eu brinque de quebra-cabeça.
Talvez eu tenha nascido com alguma disfunção
ou então com a cabeça quebrada.
Será melhor mudar de brincadeira?
Será melhor deitar e dormir?
Será...
Um dia sem quebrar a cabeça.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
vogais e consoantes serão meu quebra-cabeça.
Tentei encontrar algumas palavras,
mas fracassei nessa brincadeira.
Talvez a minha ignorância não deixe
que eu brinque de quebra-cabeça.
Talvez eu tenha nascido com alguma disfunção
ou então com a cabeça quebrada.
Será melhor mudar de brincadeira?
Será melhor deitar e dormir?
Será...
Um dia sem quebrar a cabeça.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Pecai-vos
Pecai-vos!
Todos juntos.
Todos minutos.
Todos os santos.
Todos não-santos.
Todos. Sem exceção.
Se quiseres estarei aqui.
Pecai-vos.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Todos juntos.
Todos minutos.
Todos os santos.
Todos não-santos.
Todos. Sem exceção.
Se quiseres estarei aqui.
Pecai-vos.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
segunda-feira, 27 de julho de 2009
27 de Julho
E hoje minhas palavras serão suas
porque minha admiração está além
dos olhos verdes esmeralda.
Eterno são os momentos
e os afagos noturnos.
Permita-me dizer ainda mais:
Que as palavras mais doces eu dedico a você
e as carícias mais singelas também.
Eterno são os olhares trocados
e a cabeça no meu peito.
Que as vozes dos passarinhos diurnos
repitam esses versos mudos ao amanhecer
como quem canta uma serenata.
Eterno são os meus silêncios que dizem tudo
e os seus abraços sinceros.
Que a sua ausência física não impeça,
nos momentos de solidão,
a sua presença quente e viva.
Enfim, eterno é a verdade dos acontecimentos
e a vivacidade deste sonho acordado.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
porque minha admiração está além
dos olhos verdes esmeralda.
Eterno são os momentos
e os afagos noturnos.
Permita-me dizer ainda mais:
Que as palavras mais doces eu dedico a você
e as carícias mais singelas também.
Eterno são os olhares trocados
e a cabeça no meu peito.
Que as vozes dos passarinhos diurnos
repitam esses versos mudos ao amanhecer
como quem canta uma serenata.
Eterno são os meus silêncios que dizem tudo
e os seus abraços sinceros.
Que a sua ausência física não impeça,
nos momentos de solidão,
a sua presença quente e viva.
Enfim, eterno é a verdade dos acontecimentos
e a vivacidade deste sonho acordado.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Me sobra delicadeza
Você precisa mendigar algum pouco de amor pelas noites geladas ou em qualquer colo sozinho, para só então se amar, meu bem.
O meu jeito de lidar com o fim do amor é outro. Eu preservo um tanto seu em mim.
Sem esmola por ora.
Deixei o porta retrato ainda intacto.
Junto ao medo de mexer em algo que ao ser guardado no fundo de algum canto, ali permanecerá.
As trilhas diferentes revelam um silêncio interno perturbante, intrigante.
E a poesia não tem magia.
Só agonia.
Minhas escolhas, meu caminho…
Só meu.
Direção contrária ao seu.
Como a poetisa e o plebeu.
No meu ritmo o som é experimentalmente denso, intenso.
Nas madrugadas afora vejo que me sinto inteira dentro do eu que sou agora.
Perto de tudo que sou e daquilo que jamais fui antes de começar a ser.
-
Olho pro buraco que fizeste em mim.
Ainda assim, com delicadeza vejo a beleza de sentir a dor pura pelo valor da experiência.
Reverências!
Eu harmonizo as mais diversas energias que provocas em mim.
Exploro-as sem fim.
Tim-tim.
Nos eternos brindes noturnos sinto minha liberdade em um grito mudo de alívio.
Preço alto, noite longa.
O mundo volta a fazer barulho.
A novidade mostra o futuro.
Eu me orgulho.
Com orgulho duro no escuro.
Quanto ao escudo?
Digo que permaneces tatuado em mim.
Mas que eu bebi de ti todos os goles até o fim.
Segredo meu dentro do camarim.
-
Eu guardo a doçura de cada ternura.
Tentei de uma forma madura,
em meio aos seus gritos de loucura.
E fúria.
Na fortaleza de um, a fraqueza do outro.
Peço-te franqueza. Vou-me à francesa.
Me visto com o vestido de menina boneca desprotegida e ferida.
Guardo o espartilho e a cinta liga de mulher decidida.
Meu equilíbrio externo ofuscando a desordem interna.
Lobos se atacando em noite de lua cheia.
Por que tanta delicadeza pra falar de sentimento?
Pra que tanto sentimento sem delicadeza?
O furo que deixaste aqui dentro é do tamanho que necessitas para partir.
Vitória minha em sentir.
Ou não.
Vá então!
-
Do lado de fora tenho a certeza de dentro que eu beberia cada gota dessa dose amarga de novo.
Do mesmo jeito no meu peito.
Erraria cada erro que errei.
Deixaria doer toda a dor que dói.
Só para sentir outra vez tudo o que há dentro de mim como senti.
Fico aqui, sensível a cada sentimento meu.
Experimentei-me de todas as formas, por completo.
Confesso,
por vezes sem delicadeza alguma.
Eu me amassei nos seus rascunhos ainda dobrados.
Guardo comigo, com carinho cada palavra das cartas rasgadas.
Dispenso personificações.
E te expulso dos meus pulsos, por impulso.
Já que me sobra delicadeza.
Por Fernanda Tavares - http://meninadosolhos00.blog.terra.com.br/
__________________________________________________________________
Comentário:
Me sobra admiração.
Me faltam palavras para comentar.
Reticências...
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
O meu jeito de lidar com o fim do amor é outro. Eu preservo um tanto seu em mim.
Sem esmola por ora.
Deixei o porta retrato ainda intacto.
Junto ao medo de mexer em algo que ao ser guardado no fundo de algum canto, ali permanecerá.
As trilhas diferentes revelam um silêncio interno perturbante, intrigante.
E a poesia não tem magia.
Só agonia.
Minhas escolhas, meu caminho…
Só meu.
Direção contrária ao seu.
Como a poetisa e o plebeu.
No meu ritmo o som é experimentalmente denso, intenso.
Nas madrugadas afora vejo que me sinto inteira dentro do eu que sou agora.
Perto de tudo que sou e daquilo que jamais fui antes de começar a ser.
-
Olho pro buraco que fizeste em mim.
Ainda assim, com delicadeza vejo a beleza de sentir a dor pura pelo valor da experiência.
Reverências!
Eu harmonizo as mais diversas energias que provocas em mim.
Exploro-as sem fim.
Tim-tim.
Nos eternos brindes noturnos sinto minha liberdade em um grito mudo de alívio.
Preço alto, noite longa.
O mundo volta a fazer barulho.
A novidade mostra o futuro.
Eu me orgulho.
Com orgulho duro no escuro.
Quanto ao escudo?
Digo que permaneces tatuado em mim.
Mas que eu bebi de ti todos os goles até o fim.
Segredo meu dentro do camarim.
-
Eu guardo a doçura de cada ternura.
Tentei de uma forma madura,
em meio aos seus gritos de loucura.
E fúria.
Na fortaleza de um, a fraqueza do outro.
Peço-te franqueza. Vou-me à francesa.
Me visto com o vestido de menina boneca desprotegida e ferida.
Guardo o espartilho e a cinta liga de mulher decidida.
Meu equilíbrio externo ofuscando a desordem interna.
Lobos se atacando em noite de lua cheia.
Por que tanta delicadeza pra falar de sentimento?
Pra que tanto sentimento sem delicadeza?
O furo que deixaste aqui dentro é do tamanho que necessitas para partir.
Vitória minha em sentir.
Ou não.
Vá então!
-
Do lado de fora tenho a certeza de dentro que eu beberia cada gota dessa dose amarga de novo.
Do mesmo jeito no meu peito.
Erraria cada erro que errei.
Deixaria doer toda a dor que dói.
Só para sentir outra vez tudo o que há dentro de mim como senti.
Fico aqui, sensível a cada sentimento meu.
Experimentei-me de todas as formas, por completo.
Confesso,
por vezes sem delicadeza alguma.
Eu me amassei nos seus rascunhos ainda dobrados.
Guardo comigo, com carinho cada palavra das cartas rasgadas.
Dispenso personificações.
E te expulso dos meus pulsos, por impulso.
Já que me sobra delicadeza.
Por Fernanda Tavares - http://meninadosolhos00.blog.terra.com.br/
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Comentário:
Me sobra admiração.
Me faltam palavras para comentar.
Reticências...
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Devir
Não me furtarei
a escrever-te estas palavras.
Ainda que a fugacidade
esteja me olhando pelo espelho.
Querendo que eu vá embora
antes que o dia vire noite.
Serei patético.
Para que a sua abstração
torne-se a vivência do meu não vivido.
Do devir.
Devir que não virá a ser
enquanto escrevo-te.
Devir que não virá a ser
enquanto lês.
Devir próprio da minha existência.
Só que estas palavras
já estão chegando ao fim.
E não consegui exprimir
aquilo que propusera a ti.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
a escrever-te estas palavras.
Ainda que a fugacidade
esteja me olhando pelo espelho.
Querendo que eu vá embora
antes que o dia vire noite.
Serei patético.
Para que a sua abstração
torne-se a vivência do meu não vivido.
Do devir.
Devir que não virá a ser
enquanto escrevo-te.
Devir que não virá a ser
enquanto lês.
Devir próprio da minha existência.
Só que estas palavras
já estão chegando ao fim.
E não consegui exprimir
aquilo que propusera a ti.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Pousa a mão na minha testa
Não te doas do meu silêncio:
Estou cansado de todas as palavras.
Não sabes que te amo?
Pousa a mão na minha testa:
Captarás numa palpitação inefável
O sentido da única palavra essencial
-Amor.
Por Manuel Bandeira
____________________________________________
Comentário:
E hoje deitarei na cama e dormirei com essas palavras ao som mudo e tímido do meu corpo. Exalarei o necessário para que compreendas que o meu silêncio fala a essência desse sentimento.
Pousa a mão na minha testa e desfalecerei a minha timidez e o meu mistério. E essa palpitação inefável que Manuel nos fala será sentida nas mordidas e abraços eternos de dois corpos num só espaço.
Hoje essa poesia é a minha porta-voz já que a minha mudez e silêncio não me deixam expressar isso tudo que estas poucas palavras acabara de te dizer.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Estou cansado de todas as palavras.
Não sabes que te amo?
Pousa a mão na minha testa:
Captarás numa palpitação inefável
O sentido da única palavra essencial
-Amor.
Por Manuel Bandeira
____________________________________________
Comentário:
E hoje deitarei na cama e dormirei com essas palavras ao som mudo e tímido do meu corpo. Exalarei o necessário para que compreendas que o meu silêncio fala a essência desse sentimento.
Pousa a mão na minha testa e desfalecerei a minha timidez e o meu mistério. E essa palpitação inefável que Manuel nos fala será sentida nas mordidas e abraços eternos de dois corpos num só espaço.
Hoje essa poesia é a minha porta-voz já que a minha mudez e silêncio não me deixam expressar isso tudo que estas poucas palavras acabara de te dizer.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
segunda-feira, 13 de julho de 2009
O bicho (Manuel Bandeira)
Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
___________________________________
Comentário:
E o homem deixou de ser homem e transformou-se em bicho. E na busca pela sobrevivência esqueceu de si mesmo, sua essência.
Ainda vemos muitos bichos pelas ruas e sequer temos a coragem ou delicadeza de mudar alguma coisa. Talvez alguns poucos enxerguem, enquanto muitos outros ainda usam os óculos da cegueira social.
Qual a sua colaboração no aprofundamento da degradação social? Você faz algo que não seja tão somente assistencialismo?
Pense nisto.
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
___________________________________
Comentário:
E o homem deixou de ser homem e transformou-se em bicho. E na busca pela sobrevivência esqueceu de si mesmo, sua essência.
Ainda vemos muitos bichos pelas ruas e sequer temos a coragem ou delicadeza de mudar alguma coisa. Talvez alguns poucos enxerguem, enquanto muitos outros ainda usam os óculos da cegueira social.
Qual a sua colaboração no aprofundamento da degradação social? Você faz algo que não seja tão somente assistencialismo?
Pense nisto.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Procura-se minha inspiração
Perdi minha inspiração
pelos becos da cidade.
A noite é fria
e não consigo sair para procurá-la.
Me faltam palavras.
Tudo é tão igual,
repetitivo, semelhante,
banal.
Onde está você inspiração?
Não demores a voltar.
Estarei aqui sentado no meu banco
com o lápis e o papel na mão.
Se o tempo passar
e você não mais voltar,
entenderei que será a exata hora
de parar.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
pelos becos da cidade.
A noite é fria
e não consigo sair para procurá-la.
Me faltam palavras.
Tudo é tão igual,
repetitivo, semelhante,
banal.
Onde está você inspiração?
Não demores a voltar.
Estarei aqui sentado no meu banco
com o lápis e o papel na mão.
Se o tempo passar
e você não mais voltar,
entenderei que será a exata hora
de parar.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
quinta-feira, 2 de julho de 2009
O Itinerante
Nas estradas da vida
Sou retirante.
Itinerante.
Não me resta cansaço
Ou desânimo.
Faço das dores o meu canto.
O barulho da paisagem transborda-me de fôlego.
O caos urbano faz a lógica do meu traçado.
Respiro os vários cheiros do espaço.
E transpiro as águas daquele riacho.
Nas estradas da vida sou só. (breve pausa)
Só mais um retirante.
Aquele que se retira e retorna.
Ainda que itinerante.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Sou retirante.
Itinerante.
Não me resta cansaço
Ou desânimo.
Faço das dores o meu canto.
O barulho da paisagem transborda-me de fôlego.
O caos urbano faz a lógica do meu traçado.
Respiro os vários cheiros do espaço.
E transpiro as águas daquele riacho.
Nas estradas da vida sou só. (breve pausa)
Só mais um retirante.
Aquele que se retira e retorna.
Ainda que itinerante.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
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