Agora
eu escrevo
na tentativa inútil de expressar
o meu sentimento
é inútil
porque o momento
que deveria
ter sido expresso (como o trem)
já passou
e só me resta a poesia
talvez a única forma que
externalizo-me por completo
não fosse ela
a poesia
estaria agora engasgado
sufocado
talvez morto
ou vivo
mergulhado nos versos
submerso em meu universo
penso
e fico.
Por Rene Serafim - "Juninho"
terça-feira, 6 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Mediterrâneo
uma dose dessa overdose
intravenosa e ácida
e os barcos fazem o levante
o vento sopra a favor
e eu vou navegando
nesse mar sem fim
quando abro meu abraço
congelo-me nesse apogeu
que me derrete por completo
na tempestade tropical
cerco-me
esvaeço-me
mas o sol aparece
e com o calor
me aquece
Por Rene Serafim - "Juninho"
intravenosa e ácida
e os barcos fazem o levante
o vento sopra a favor
e eu vou navegando
nesse mar sem fim
quando abro meu abraço
congelo-me nesse apogeu
que me derrete por completo
na tempestade tropical
cerco-me
esvaeço-me
mas o sol aparece
e com o calor
me aquece
Por Rene Serafim - "Juninho"
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Poesia-vazia
No vazio
e escuro do quarto
internalizo-me.
Silenciosamente
escrevo os atormentos
e as loucuras.
Minha internalização externaliza-se
na forma de lágrimas
e descarrega o peso
da solidão que por ora me consome.
A garganta se fecha.
Os olhos já não enxergam
com o acúmulo da coisa lacrimal.
O sentimento todo deságua
quando num filme ele,
no caso eu,
lê a seguinte frase:
“Felicidade só é real quando compartilhada”
E este conjunto de palavras
denominada de frase
é o limiar deste descarrego
de sentimentos
traduzido em poesia
mas que sequer atingiu
o que eu realmente sentia.
P.S. Para você que agora compartilha a minha poesia. Ao ler, ouça essa MÚSICA.
Por Rene Serafim - "Juninho"
e escuro do quarto
internalizo-me.
Silenciosamente
escrevo os atormentos
e as loucuras.
Minha internalização externaliza-se
na forma de lágrimas
e descarrega o peso
da solidão que por ora me consome.
A garganta se fecha.
Os olhos já não enxergam
com o acúmulo da coisa lacrimal.
O sentimento todo deságua
quando num filme ele,
no caso eu,
lê a seguinte frase:
“Felicidade só é real quando compartilhada”
E este conjunto de palavras
denominada de frase
é o limiar deste descarrego
de sentimentos
traduzido em poesia
mas que sequer atingiu
o que eu realmente sentia.
P.S. Para você que agora compartilha a minha poesia. Ao ler, ouça essa MÚSICA.
Por Rene Serafim - "Juninho"
domingo, 27 de setembro de 2009
Singela homem-nagem
O nêgo se foi
e a jamaica faz festa
tem carne de boi
e à noite seresta.
Tem Bob tocando
na entrada do paraíso
e Barrey vai adentrando
com aquele sorriso.
Fica a fotografia
naquela cozinha
não vemos seu rosto
só sentimos sua alegria.
P.S. Para Barrey.
Por Rene Serafim - "Juninho"
e a jamaica faz festa
tem carne de boi
e à noite seresta.
Tem Bob tocando
na entrada do paraíso
e Barrey vai adentrando
com aquele sorriso.
Fica a fotografia
naquela cozinha
não vemos seu rosto
só sentimos sua alegria.
P.S. Para Barrey.
Por Rene Serafim - "Juninho"
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Carta Magma
Uma pausa na poesia.
Anseios e conflitos nos movem todos os dias na forma de angústias, sofrimentos, tristezas, incompreensões, prazeres, desejos, realizações, sonhos e muitas outras coisas que no fundo possuem um só significado: tensão. Talvez a saída mais fácil e prazerosa, diga-se de passagem, seria retirar o “n” do meio desta palavra. Mas é preciso tensão em equilíbrio constante para que a corda não arrebente em um dos lados.
A corda não é de ferro nem é de aço. Ela é fruto das relações humanas intangíveis. Cedo ou tarde, arrebenta no nosso lado. Infelizmente o nosso é sempre propenso a receber a lapada do ato. Antes fosse teatro.
Agora apronfundaremos a nossa questão que possui múltiplas escolhas. Ir ou não de encontro ao rompimento da nossa corda? Iremos. O rompimento é parte do processo. Ao ir, vamos ao novo anseio, conflito, angústia, sonho, prazer (...), ou seja, um novo ciclo se inicia.
Buscar o equilíbrio da nossa nova corda é a questão essencial. Não interessa os meios utilizados nem os valores socias colocados sobre a mesa. Serviremos o jantar com a sobremesa.
Esqueci de falar da corda. “Shame on you!” diria os ingleses. A apresentação deveria estar antes de começar o texto. Opa! Quebrei uma regra culta que não estava bem incutida na minha cabeça. Mentira. Estava e foi proposital. Apenas estou dando vida à corda. Primeiro ela existe e não sabe que existe. Depois é que ela vai se preenchendo e dando forma e essência ao seu corpo de corda.
Nessa confusão de palavras soltas e ideias desconexas, consigo visualizar a intencionalidade de toda essa filosofia barata e xucra: a decisão de se arrebentar deve partir da corda para o todo. Ah! E o todo só é todo porque elas, as cordas, existem.
Voltemos à poesia.
Por Rene Serafim - "Juninho"
Anseios e conflitos nos movem todos os dias na forma de angústias, sofrimentos, tristezas, incompreensões, prazeres, desejos, realizações, sonhos e muitas outras coisas que no fundo possuem um só significado: tensão. Talvez a saída mais fácil e prazerosa, diga-se de passagem, seria retirar o “n” do meio desta palavra. Mas é preciso tensão em equilíbrio constante para que a corda não arrebente em um dos lados.
A corda não é de ferro nem é de aço. Ela é fruto das relações humanas intangíveis. Cedo ou tarde, arrebenta no nosso lado. Infelizmente o nosso é sempre propenso a receber a lapada do ato. Antes fosse teatro.
Agora apronfundaremos a nossa questão que possui múltiplas escolhas. Ir ou não de encontro ao rompimento da nossa corda? Iremos. O rompimento é parte do processo. Ao ir, vamos ao novo anseio, conflito, angústia, sonho, prazer (...), ou seja, um novo ciclo se inicia.
Buscar o equilíbrio da nossa nova corda é a questão essencial. Não interessa os meios utilizados nem os valores socias colocados sobre a mesa. Serviremos o jantar com a sobremesa.
Esqueci de falar da corda. “Shame on you!” diria os ingleses. A apresentação deveria estar antes de começar o texto. Opa! Quebrei uma regra culta que não estava bem incutida na minha cabeça. Mentira. Estava e foi proposital. Apenas estou dando vida à corda. Primeiro ela existe e não sabe que existe. Depois é que ela vai se preenchendo e dando forma e essência ao seu corpo de corda.
Nessa confusão de palavras soltas e ideias desconexas, consigo visualizar a intencionalidade de toda essa filosofia barata e xucra: a decisão de se arrebentar deve partir da corda para o todo. Ah! E o todo só é todo porque elas, as cordas, existem.
Voltemos à poesia.
Por Rene Serafim - "Juninho"
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Curta-metragem
Não há rima
nem prosa
o auto-retrato
reflete em mim
faço versos
livres
soltos
agora fico deitado
sobre o meu todo
enfim
faço versos
presos
enjaulados
acorrentados em mim.
Por Rene Serafim - "Juninho"
nem prosa
o auto-retrato
reflete em mim
faço versos
livres
soltos
agora fico deitado
sobre o meu todo
enfim
faço versos
presos
enjaulados
acorrentados em mim.
Por Rene Serafim - "Juninho"
domingo, 20 de setembro de 2009
Haikai londrino II
quando o tempo está para FOG
eu entro num PUB
e me aFOGo.
Por Rene Serafim - "Juninho"
eu entro num PUB
e me aFOGo.
Por Rene Serafim - "Juninho"
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Dez horas
Não posso ser feliz por completo.
Se serei?
Não sei.
Mas minha poesia necessita de tristeza e doses de solidão.
Porque elas são fontes.
Inspiração.
Carrego no peito sangrado o gosto acre da vida.
Aperto meu cinto. E sinto.
Derramo o pouco doce que sobra longe de mim.
Não estou sendo vítima de mim mesmo.
Pelo contrário.
Estou apenas mostrando que os meus versos cantam
a canção fúnebre em tempos de alegria.
E que somente eu sei sobre a minha poesia.
Por Rene Serafim - "Juninho"
Se serei?
Não sei.
Mas minha poesia necessita de tristeza e doses de solidão.
Porque elas são fontes.
Inspiração.
Carrego no peito sangrado o gosto acre da vida.
Aperto meu cinto. E sinto.
Derramo o pouco doce que sobra longe de mim.
Não estou sendo vítima de mim mesmo.
Pelo contrário.
Estou apenas mostrando que os meus versos cantam
a canção fúnebre em tempos de alegria.
E que somente eu sei sobre a minha poesia.
Por Rene Serafim - "Juninho"
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Entre-laços
Faço estes versos
Enquanto dormes
Reluzente e presente
Na minha cama
Ainda sinto seu cheiro
Nos corpos
Deitados e experimentados
Amados.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Enquanto dormes
Reluzente e presente
Na minha cama
Ainda sinto seu cheiro
Nos corpos
Deitados e experimentados
Amados.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
1ª Pessoa do singular
Você carrega as mágoas
nas profundezas mais profundas.
Chora lágrimas já sem sal
e cristalizadas.
Você guarda e aguarda
o metrô da madrugada.
Retira-se da linha
não mais utilizada.
Você caminha a três horas
de sua morada.
E ao chegar
está mais frio.
Você derrama o sangue
que fora vermelho.
Agora ele sequer
tem cor.
Você hoje é um ser
metamorfizado.
Talvez um verbo intransitivo
mas que aceita exceções.
Você é...
a primeira pessoa do singular.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
nas profundezas mais profundas.
Chora lágrimas já sem sal
e cristalizadas.
Você guarda e aguarda
o metrô da madrugada.
Retira-se da linha
não mais utilizada.
Você caminha a três horas
de sua morada.
E ao chegar
está mais frio.
Você derrama o sangue
que fora vermelho.
Agora ele sequer
tem cor.
Você hoje é um ser
metamorfizado.
Talvez um verbo intransitivo
mas que aceita exceções.
Você é...
a primeira pessoa do singular.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Lado B
O silêncio líquido
será a resposta
para o meu segredo.
Ao não dizer,
falarei mais alto
e mais profundo.
Com as asas de quem quer voar,
corto as minhas
na esperança de um dia
fazer-te acreditar.
E no lirismo barato que por ora faço
tento num impulso,
súbito e intenso,
colocar em palavras
tudo aquilo que existe
na minha abstração sentimental.
O prazer de fazê-los,
os versos,
é semelhante ao gozo noturno
dos dias quentes.
E como quem sente sou eu,
escrevo.
Fim.
P.S.: Feito na rodoviária de Ribeirão Preto.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
será a resposta
para o meu segredo.
Ao não dizer,
falarei mais alto
e mais profundo.
Com as asas de quem quer voar,
corto as minhas
na esperança de um dia
fazer-te acreditar.
E no lirismo barato que por ora faço
tento num impulso,
súbito e intenso,
colocar em palavras
tudo aquilo que existe
na minha abstração sentimental.
O prazer de fazê-los,
os versos,
é semelhante ao gozo noturno
dos dias quentes.
E como quem sente sou eu,
escrevo.
Fim.
P.S.: Feito na rodoviária de Ribeirão Preto.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
domingo, 6 de setembro de 2009
Passarela Rubens Pasin
Atravessando a passarela Rubens Pasin
senti o odor da urina lá deixada
por um transeunte qualquer na madrugada.
Ao olhar ao meu redor
deparei-me com a forma mais pura e poética da vida:
as marcas deixadas por todos que ali passam.
Subitamente aflorou em meus poros a poesia
e exalou meus sentimentos fugazes.
Tudo isso por causa de uma passarela.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
senti o odor da urina lá deixada
por um transeunte qualquer na madrugada.
Ao olhar ao meu redor
deparei-me com a forma mais pura e poética da vida:
as marcas deixadas por todos que ali passam.
Subitamente aflorou em meus poros a poesia
e exalou meus sentimentos fugazes.
Tudo isso por causa de uma passarela.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
domingo, 30 de agosto de 2009
Colcha-de-retalhos
Minha poesia é feita de retalhos
gasto com o uso intenso do cotidiano.
A construção não segue métrica
e percorre um caminho espiral.
Traduzo em poesia
tudo aquilo que não existe em palavra.
Coloco a lente poética
e enxergo o mundo subjetivamente.
Seja em cores ou em preto-e-branco
revela os meus
e talvez os seus momentos íntimos.
E no final,
os retalhos que eram só pedaços
transformam-se nesta colcha.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
gasto com o uso intenso do cotidiano.
A construção não segue métrica
e percorre um caminho espiral.
Traduzo em poesia
tudo aquilo que não existe em palavra.
Coloco a lente poética
e enxergo o mundo subjetivamente.
Seja em cores ou em preto-e-branco
revela os meus
e talvez os seus momentos íntimos.
E no final,
os retalhos que eram só pedaços
transformam-se nesta colcha.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Déjà vu
E ao retirar o peso
que existia em suas costas
o pai conversa com o filho.
No diálogo caloroso e fraterno
havia o cheiro da cumplicidade
exalada pelas bocas.
E a mão maior
toca no ombro do pequeno
que agora caminha
apenas com o peso do corpo miúdo.
Neste instante um déjà vu perpassa pela minha mente
e recorda as lembranças mais belas da infância.
De um tempo em que o único peso que eu carregava
era o peso da minha própria mochila.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
que existia em suas costas
o pai conversa com o filho.
No diálogo caloroso e fraterno
havia o cheiro da cumplicidade
exalada pelas bocas.
E a mão maior
toca no ombro do pequeno
que agora caminha
apenas com o peso do corpo miúdo.
Neste instante um déjà vu perpassa pela minha mente
e recorda as lembranças mais belas da infância.
De um tempo em que o único peso que eu carregava
era o peso da minha própria mochila.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Sorriso de Mona Lisa
Agora, sinto o dia frio
e essa chuva fina
cai sobre mim.
Pego meu guarda-chuva
e sigo o caminho noturno
de todas as segundas-feiras.
Faço a minha obrigação
e se católico fosse
colocaria o agradecimento
em minha oração.
Volto para a casa que não me pertence
e com os sapatos molhados
caminho na penumbra
da minha própria sombra.
Abro a porta
e me deparo com a solidão.
Ela sorri e diz:
- Existem coisas piores que a minha presença.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
e essa chuva fina
cai sobre mim.
Pego meu guarda-chuva
e sigo o caminho noturno
de todas as segundas-feiras.
Faço a minha obrigação
e se católico fosse
colocaria o agradecimento
em minha oração.
Volto para a casa que não me pertence
e com os sapatos molhados
caminho na penumbra
da minha própria sombra.
Abro a porta
e me deparo com a solidão.
Ela sorri e diz:
- Existem coisas piores que a minha presença.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Momento num café
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto longo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
Por Manuel Bandeira
_____________________________________________________________
Comentário:
Dois momentos distintos: a cultura religiosa de saudação, mesmo sem saber a quem se deve tal gesto e de forma mecânica - retirar o chapéu como forma de respeito. No outro, a libertação dos valores impostos muitas vezes sem significação ou sentido para o indivíduo que o absorve sem questionamento ou entendimento.
Ao fazer gestos de "adeus" ao morto, as pessoas do café mostram-se inteiramente envolvidas com uma questão de valores religiosos que transcende o sentido da vida enquanto aquela para ser vivida. Aqui, a saudação é para a morte, que carregou o indivíduo e simplesmente esquecem de refletir o verdadeiro sentido de suas respectivas existências.
Entretanto, o esclarecimento de um indivíduo que questiona, mesmo que no seu interior, o verdadeiro sentido daquela cena, revela para si próprio algo que para muitos é assustador: o existencialismo efêmero nosso enquanto ser e a falta de finalidade da vida. Nota-se aqui a aproximação de Manuel Bandeira com a filosofia de Sartre acerca do Existencialismo.
Por último, os dois últimos versos confirmam o que fora dito sobre o existencialismo. A saudação à carne, à matéria que não é mais viva. E que agora está em liberdade eterna de uma alma extinta.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto longo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
Por Manuel Bandeira
_____________________________________________________________
Comentário:
Dois momentos distintos: a cultura religiosa de saudação, mesmo sem saber a quem se deve tal gesto e de forma mecânica - retirar o chapéu como forma de respeito. No outro, a libertação dos valores impostos muitas vezes sem significação ou sentido para o indivíduo que o absorve sem questionamento ou entendimento.
Ao fazer gestos de "adeus" ao morto, as pessoas do café mostram-se inteiramente envolvidas com uma questão de valores religiosos que transcende o sentido da vida enquanto aquela para ser vivida. Aqui, a saudação é para a morte, que carregou o indivíduo e simplesmente esquecem de refletir o verdadeiro sentido de suas respectivas existências.
Entretanto, o esclarecimento de um indivíduo que questiona, mesmo que no seu interior, o verdadeiro sentido daquela cena, revela para si próprio algo que para muitos é assustador: o existencialismo efêmero nosso enquanto ser e a falta de finalidade da vida. Nota-se aqui a aproximação de Manuel Bandeira com a filosofia de Sartre acerca do Existencialismo.
Por último, os dois últimos versos confirmam o que fora dito sobre o existencialismo. A saudação à carne, à matéria que não é mais viva. E que agora está em liberdade eterna de uma alma extinta.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
sábado, 15 de agosto de 2009
Poesia Inacabada
Sedento e insaciável,
ávido por novas palavras
ou novos significados.
Não me contento
com isto ou aquilo.
Desejo mais que isso.
A busca é eterna,
contínua
e nua.
Corre pela rua
como as águas da chuva
em dias de verão.
E nessa evolução literária
faço revolução
poética.
Os paradoxismos universais
e o lirismo aceitos
serão.
E como quem aprende a dar
os primeiros passos,
caio sempre que necessário.
Eu, um ser anacrônico
neste poema
lacônico.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
ávido por novas palavras
ou novos significados.
Não me contento
com isto ou aquilo.
Desejo mais que isso.
A busca é eterna,
contínua
e nua.
Corre pela rua
como as águas da chuva
em dias de verão.
E nessa evolução literária
faço revolução
poética.
Os paradoxismos universais
e o lirismo aceitos
serão.
E como quem aprende a dar
os primeiros passos,
caio sempre que necessário.
Eu, um ser anacrônico
neste poema
lacônico.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Uma didática da invenção
1.
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
[...]
Por Manoel de Barros
_____________________________________________________________________________________
Comentário:
Esta poesia é apenas a primeira parte de várias outras sob o título de "Uma didática da invenção" de Manoel de Barros. Apalpar as intimidades do mundo é muito mais que escrever sobre coisas simples ou, como o próprio Manoel de Barros usualmente cita, as insignificâncias do mundo. É sentir.
Ao sentir as insignificâncias do mundo logo percebemos as nossas e, consequentemente, estas deixam de ser insignificantes e passam a ter um valor sentimental. Valor pessoal, subjetivo e, de certo modo, poético.
Paro por aqui e deixo vocês refletirem sobre estes princípios de como apalpar as intimidades do mundo e a pensarem sobre os seus próprios princípios.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
[...]
Por Manoel de Barros
_____________________________________________________________________________________
Comentário:
Esta poesia é apenas a primeira parte de várias outras sob o título de "Uma didática da invenção" de Manoel de Barros. Apalpar as intimidades do mundo é muito mais que escrever sobre coisas simples ou, como o próprio Manoel de Barros usualmente cita, as insignificâncias do mundo. É sentir.
Ao sentir as insignificâncias do mundo logo percebemos as nossas e, consequentemente, estas deixam de ser insignificantes e passam a ter um valor sentimental. Valor pessoal, subjetivo e, de certo modo, poético.
Paro por aqui e deixo vocês refletirem sobre estes princípios de como apalpar as intimidades do mundo e a pensarem sobre os seus próprios princípios.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Quebra-cabeça
Vomitarei palavras aleatórias,
vogais e consoantes serão meu quebra-cabeça.
Tentei encontrar algumas palavras,
mas fracassei nessa brincadeira.
Talvez a minha ignorância não deixe
que eu brinque de quebra-cabeça.
Talvez eu tenha nascido com alguma disfunção
ou então com a cabeça quebrada.
Será melhor mudar de brincadeira?
Será melhor deitar e dormir?
Será...
Um dia sem quebrar a cabeça.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
vogais e consoantes serão meu quebra-cabeça.
Tentei encontrar algumas palavras,
mas fracassei nessa brincadeira.
Talvez a minha ignorância não deixe
que eu brinque de quebra-cabeça.
Talvez eu tenha nascido com alguma disfunção
ou então com a cabeça quebrada.
Será melhor mudar de brincadeira?
Será melhor deitar e dormir?
Será...
Um dia sem quebrar a cabeça.
Por Rene Gonçalves Serafim Silva - "Juninho"
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